No âmbito psicopedagógico dentre os autores mais influentes Piaget, Vygotsky e Wallon têm, cada um, sua própria idéia ou teoria do que é Inteligência.
Tendo formação em biologia, Jean Piaget alicerça sua teoria no desenvolvimento biológico do indivíduo. A Inteligência é, então, o conjunto das estruturas mentais que o corpo humano tem à sua disposição, e esta varia de acordo com a sua fase de desenvolvimento (pautada na maturação biológica – idade), ele considera ainda que a função da Inteligência é dar significado ao meio, compreendê-lo, “assim como o organismo estrutura o meio ambiente imediato” (PIAGET apud LA TEILLE, 2000).
Por outro lado, Vygotsky, com o sócio-interacionismo propõe que a Inteligência é a ferramenta que o ser humano utiliza para codificar e decodificar o mundo; e esta é construída através das interações com o meio e com as pessoas, ou seja, a Inteligência é construída através das relações; enquanto a psicogênese da pessoa completa de Wallon exorta a necessidade de observarmos os processos psíquicos de interação com o meio sob as óticas dos domínios afetivo, cognitivo e motor, ou ainda, do sentir, pensar e agir. Segundo esta teoria, a construção da Inteligência parte do desenvolvimento biológico do indivíduo, porém torna-se mais complexa à medida que as interações sociais e emocionais vão se aperfeiçoando, isto é, quanto mais lapidamos os três níveis de domínio humano, mais acesso temos à nossa Inteligência, deste modo, ela não é somente produtora de equilíbrio, mas também fruto deste.
Já a definição encontrada no dicionário Aurélio online diz que Inteligência “é a capacidade que tem o espírito de conceber; discernimento; compreensão fácil e profunda.”
Vejamos Danah Zohar em seu livro QS: Inteligência Espiritual (2002), a autora sustenta que ser Inteligente implica em buscar o sentido da existência de todas as coisas e da Vida em si, com isto percebemos que a Inteligência Espiritual possibilita-nos o autoconhecimento. Numa outra vertente não muito distante, Daniel Goleman (1995) afirma que fazer bom uso, isto é, direcionar intencionalmente suas emoções a fim de manter-se equilibrado, e com boas relações é ser Inteligente, ou seja, ser Inteligente implica também em adaptar-nos facilmente ao meio no qual nos inserimos, mas adaptação não é aceitação irresponsável, tampouco uma imposição inevitável, mas sim algo como a maleabilidade que nos ensina a Natureza através, entre outras demonstrações, da água ao se moldar ao meio pelo qual transita sem perder suas características fundamentais.
Howard Gardner (1995; 2007) considera como Inteligência a capacidade que um Ser Humano tem de resolver problemas e/ou de criar produtos novos e valorizados em determinada cultura. A Organização Científica de Estudos Materiais, Naturais e Espirituais considera que “a inteligência é a capacidade que faculta ao Ser Humano perceber e conceber o valor significativo real que habita em todas as coisas” (Jair Tércio, 1985), ainda conforme esta Organização (2009), não é preciso muita análise para compreender a Inteligência como a capacidade que possuímos de detectar possíveis e/ou existentes problemas, construir instrumentos para solucioná-los, e, de fato, solucioná-los.
Relacionando estas definições observamos que a Inteligência nos dá diversas possibilidades, algumas delas já citadas por nós, porquanto permite-nos reconhecer a verdade à medida que experimentamos, nos interiorizamos e recorremos ao inteligir, que segundo Descartes (1637), implica em analisar as coisas à sua essência, verificando a verdade, o imutável, existente em todas elas, a sua real justificativa.
|